
Meus amigos e minhas amigas,
Iniciamos em 2009 um ano pré eleitoral, podemos dizer que no próximo ano teremos eleições.
Desde março de 2007 nós Juventude Pra Fazer Diferente temos nos mobilizado e trabalho muito para sermos protagonistas do processo eleitoral de 2010. Foram muitas lutas, e como qualquer luta, ganhamos e perdemos, sorrimos e choramos, vivemos bons e difíceis momentos.
O fato é que estamos mais maduros, fortes e experientes nesse processo. Ampliamos nossa força e hoje sem dúvida somos um significativo grupo político no DF principalmente no campo de juventude.
Ao chegar até aqui, percebo de forma ainda mais clara o significado da nossa caminhada política. Denominada “Pra Fazer Diferente”. Mas o que significa ser um político Pra fazer Diferente?
Muitos dos que estiveram, em ocasião semelhante, disputando um cargo público, o que viram nesta cidade? Veem grupos de interesse, veem teses, veem segmentos, veem setores, veem ativistas, veem cabos eleitorais, por fim veem massas. E, por verem tudo isso, não veem o fundamental.
É exatamente por isso que queremos um candidato Pra Fazer Diferente.
Pois não somos meros conceitos; somos a realidade. Sim, a Política é a expressão conceitual da realidade que queremos. Mas nós, somos reais. Gente de carne e osso, pessoas com legitimidade, indivíduos que, por isso mesmo, precisam ser ouvidos. Mas, para serem ouvidos, primeiro, tem de ser enxergados.
O ato falho de muitos políticos ao longo da história desse país tem sido exatamente este. Quase são forçados a conversar com o povo. Eles encaram isso como um sacrifício, quase como um castigo, como um alto preço a pagar, por mais insuportável que seja uma espécie de pedágio extorsivo para chegar ao poder.
Candidatos assim se sentem como numa via-crúcis durante a campanha. E essa via-crúcis é ouvir o cidadão, saber o seu nome, saber de onde ele veio, o que ele pensa, saber a sua história. Tudo como se fosse uma grande concessão, como se fosse um grande favor conhecer o povo que ele representa ou irá representar.
Fazendo campanha assim, depois de eleitos, lá eles se isolam. É preciso mudar a lógica da política. E essa mudança começa primeiro pelo modo como é escolhido cada líder político, pelo modo como eles entendem a política, pelo modo como se comportam, pelo modo como encaram a sua missão.
Porque um político que vê apenas números em vez de nomes, que vê apenas quóruns em vez de pessoas, que vê apenas teses em vez de realidade leva esse vício de origem para o exercício da vida pública.
No fundo, quem pensa assim se acha superior, se acha acima dos demais. E não o seu representante. Quem pensa assim acha que possui a missão de blindar o seu mandato daqueles que lhe conferiram o mesmo mandato.Claro, eles não dizem isso enquanto são candidatos. São simpáticos. Num incrível esforço, até sorriem e dão tapinhas nas costas. Mas, eleitos, sempre adotam a prática do distanciamento.
Se escolhermos, por exemplo, um deputado que tenha uma visão ultrapassada, não conseguiremos avançar. Se escolhermos um deputado elitista, continuará havendo o abismo na nossa sociedade. Não é um abismo entre burguesia e oprimidos, como tentam vender, mas um abismo muito mais grave e profundo: um abismo entre a cabeça e o coração, um abismo entre o corpo e a alma, um abismo entre a política e o povo, o coração e a alma deste país.
Se não mudarmos o tipo de políticos, não conseguiremos ter o tipo de país tanto sonhamos. E esse país precisa mudar, mudar para melhor. O que nos une em torno do projeto Pra Fazer Diferente é o sentimento de queremos o melhor para o nosso povo. E o que é melhor para o nosso povo? O melhor para o nosso povo é romper uma lógica que o coloca como mera moeda de troca de interesses politiqueiros e partidários.
Para muitos, ao eleger deputados estamos elegendo secretários, administradores, gerentes e diretores que através da votação conquistada na eleição e no fortalecimento de seu grupo ou partido se vendem e se trocam por cargos e empregos na estrutura governamental. Eu não concordo com essa distorção.
O melhor para o nosso povo não é uma questão de nomes, mas de procedimentos, de projeto político e ideológico.
O melhor para o nosso povo é buscar uma solução de fora para dentro, com a participação ativa dos trabalhadores, das mulheres, da juventude e de toda uma sociedade consciente e organizada. A solução que vem de dentro das cúpulas palacianas, das cúpulas de poder infelizmente, tem outro nome: atraso, falta de compostura, corrupção e outras coisas que já conhecemos. Isso é jogo de poder.
O melhor para o nosso povo é ter pão, trabalho e dignidade cumprindo seu papel de cidadãos. É trilhar novos caminhos, os caminhos da justiça social e da distribuição de renda. Em vez de recorrer aqueles que já não o levaram aonde poderia.
O melhor para o nosso povo é estar de pé. É recuperar o espaço perdido, aprovando leis que defendam a vida humana, a família e os valores cristãos.
O melhor para o nosso povo é usar o peso constitucional do voto e promover a cada eleição a alternância de poder, tirando os viciados e renovando a política nacional.
O melhor para o nosso povo é assegurar às mulheres maior espaço na sociedade. Se a organização política das mulheres é fundamental para a sociedade, é essencial a promoção de debates permanentes acerca de matérias sobre as questões femininas.
Durante a campanha, vamos discuti amplamente os compromissos que assumidos por nossos candidatos e nossa candidatura. E para que isso aconteça é importante que estejamos unidos, que possamos arregaçar as mangas, pois a nossa luta já começou.
Somos um grupo político mais antes de tudo um grupo de irmãos, de amigos que sonham com uma política melhor para o nosso povo. Ser amigo de cada um não é questão de mera simpatia, como muitos imaginam. É uma questão de afinidade, é o primeiro passo para entender e viver o nosso papel.
Essa distância entre os políticos e o povo, quando ele chega ao poder, só tende a aumentar. E isso tem prejudicado nosso país desde Cabral. Acredito sinceramente que esse isolamento é uma das causas principais dos muitos problemas que nossa sociedade enfrenta a tantos anos. Esses problemas são o resultado de tantos anos de isolamento, que não começou agora, é verdade, mas que tem de terminar agora.
Quebrar o isolamento do representante em relação ao representado é o primeiro passo para rompermos o isolamento entre os atos dos políticos e a vontade do povo.
O Estado tem de estar acima de todos, mas não o político.O deputado precisa ser um igual. Um igual com grandes responsabilidades; um igual com preparo e discernimento; um igual com atribuições complexas, difíceis, mas um igual. Sempre um igual. Nada além de um igual.
O deputado é do povo, mas o povo não é do seu deputado, nem do partido do seu deputado, nem da cúpula que cerca o partido dele. O poder emana do povo e para o povo. O mandatário é o intérprete de sua vontade soberana.
Igualdade não significa alinhar por baixo, rebaixar os políticos, como muitos pensam. Igualdade significa entender diferentes pontos fortes, e que precisam ser levados em conta.
Estamos vivendo novos tempos, e não adianta apenas pensarmos diferente. Temos que fazer diferente. E para termos um deputado alinhado com uma nova forma de pensar e de agir, temos de mudar a lógica que, infelizmente, vem guiando as nossas escolhas nos últimos pleitos.
Quero apenas lembrar que, dentro de 2 anos, haverão pessoas sentadas nas mais diversas cadeiras de poder . Pessoas, que terão importância decisiva na vida de cada um de nós, pessoas que poderão dar andamento às justas reivindicações de cada um, pessoas que poderão lutar pela melhoria direta e concreta da nossa qualidade de vida, ou poderemos ter os mesmos perfis de sempre.
Meus amigos e minhas amigas, teremos em 2010 muitos candidatos, mas os nossos caminhos serão apenas 2. O que é melhor? Um deputado que nos olhará de cima quando o encontrarmos ou um deputado que nos olhará nos olhos? O que é melhor? Transformar seu mandato e gabinete no diretório de um partido ou no espaço democrático aberto ao povo? O que é melhor? Romper o isolamento ou continuarmos isolados da realidade?A opção é muito clara: mudar ou continuar.
Vamos pensar muito: se queremos continuar sendo apenas marionetes ou sermos verdadeiros cidadãos brasileiros.
Sejam bem-vindos aqueles que quiserem ser atores dessa mudança, em vez de meros espectadores da situação atual.
Agradeço a todos que nos acompanham nesta jornada.
Só tenho a dizer que esse sonho pertence a todos os que querem o melhor para o povo através de uma política PRA FAZER DIFERENTE.
Muito obrigado por tudo!